Câmaras de Eco : Afinal, qual é o efeito do digital na formação de opiniões?
Olá novamente, caros leitores – alguns de vocês podem estar
se perguntando o que é uma “Câmara de Eco”. Ora, meus caros - iremos responder
essa pergunta rapidamente, antes de continuar esse post.
Essencialmente, o conceito indica um local
fechado – uma Câmara – onde várias pessoas declaram as mesmas opiniões – que
então reverberam pela câmara, alcançado os outros que ficam nesse mesmo local.
O indivíduo recebe então essas opiniões que confirmam as
suas próprias crenças, e acha que essa repetição de conceitos que concordam com
ele é a regra, sem ele considerar que ele está em um local fechado, onde a
única coisa que pode ser ouvida é o que os moradores da câmara dizem.
Ficou um pouco teórico, não? Pois é, bem vindo a qualquer
coisa que tem a ver com sociologia ou antropologia. Sério – praticamente todos
os conceitos que provém desses estudos são abstratos ou estúpidos quando você os
visualiza – mas, de qualquer forma, são (geralmente) válidos. Agora que temos consciência disso... O que o
meio digital tem a ver com essa budega?
Então, querido leitor – lá pelo início dos anos 2000, quando
a internet ainda estava em sua infância, se deu a início uma onde de estudos
que afirmavam que com o advento da internet, as pessoas iriam se segmentar e
separar em grupos fechados mais e mais – afinal, você pode falar com quem você
quiser, não? O mundo é o limite. Esses estudos se baseavam fortemente na
afirmação que o ser humano, como ser sociológico, busca apenas a confirmação de
suas idéias, e quer se evadir de qualquer conflito ideológico.
Quando observamos esses argumentos ao branco, eles têm ao
menos um pouco de sentido, não? Vou tocar numa breve ferida aqui – alguns de
vocês ao menos já devem ter cansado de discussões políticas e ideológicas no
Facebook em algum momento, não? O processo das eleições presidenciais mais
recentes – e Deus me preserve - o impeachment da ex-presidente Dilma foram
momentos... Digamos “interessantes” nas redes sociais, para não dizer outra coisa.
Para muitas pessoas, teve uma fatiga - uma busca por outros meios de interação.
Mas isso significa que as teorias sobre o meio digital
monolítico apresentadas nesses estudos – que continuam até hoje - estão
corretas? Bom, caro leitor. Vou perguntar a você a seguinte coisa - Você vive
24/7, no seu computador/celular/tablet/tamagochi/laptop, sem sair para
trabalhar, estudar, falar com amigos, ir para um bar ou estar em qualquer tipo
de ambiente físico onde interações sociais ocorrem?
Geralmente, creio que a resposta à essa pergunta seria “não”
(A não ser que, o senhor - ou a senhora - seja um tanto quanto similar comigo!)
– Mas, de qualquer forma, o ponto é o seguinte. Um isolamento por completo é
impossível, já que a internet é apenas uma parte de nossas vidas. Devo admitir
que essa realização não foi feita por mim – mas publicada Jennifer Brundidge em
seus estudos, tendo nomeado essa teoria como “Inadvertency Thesis” - tese da Inadvertência, onde a pessoa é
exposta a opiniões contrastantes em locais abertos como os mencionados acima.
Essa seria a razão por qual a internet não é um local monolítico
que domina todas as interações sociais – o que acaba por fazer com que as
previsões apocalípticas sobre o isolamento do indivíduo por completo não sejam
completadas. Isso não quer dizer, porém, que não existem nichos de discussão
fechada.
O que observamos na internet é uma espécie de paradoxo –
discutimos mais abertamente devido a distância entre nós, e tudo que falamos
está (geralmente) salvo na internet para todos observarem. Desse modo,
carregamos conosco marcas que identificam nossas ideologias muito mais
facilmente – o que permite conversas um tanto quando expedientes. Mas, com
essas identificações, criamos expectativas.
Então pergunto a ti, caro leitor, o que achas disso? Toda
discussão deve ser feita com essas identificações? Se usarmos a anonimidade
para simular discussões entre estranhos, conseguimos ter conversas mais
abertas? E mais importantemente – quantas vezes você já saiu e entrou de volta
no Facebook devido a discussões acaloradas?

Post interessante. Infelizmente, as câmaras de eco reverberam - na maioria das vezes- as ideias dos imbecis.
ResponderExcluirMuito interessante!
ResponderExcluirEndosso o que o Roberto falou. Discursos tortos cada vez mais reverberados
ResponderExcluirNão creio que devemos olhar para a situação com lentes inteiramente pessimistas - é algo mais variado com isso. Porém, sem dúvida, a realidade no virtual acaba sendo um tanto quanto diferente com o "real" real.
Excluirmuito legal!
ResponderExcluirMuito interessante
ResponderExcluirAssunto muito importante para ser debatido. Vou compartilhar a matéria!
ResponderExcluirirado!!
ResponderExcluirEstamos nos prendendo em nossas próprias bolhas. Difícil aceitar que o outro tem uma opinião valida e que, a partir dela, podemos chegar a um consenso. Mas a divisão parece mais sedutora
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